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  • Besouro da Silva

Menos telas, mais conexões


Projeto estimula o uso consciente das tecnologias para a manutenção das boas relações familiares e sociais e do bem-estar

Existe uma máxima, já bastante difundida, de que “tudo aquilo que consumimos em excesso faz mal”. No que se refere à tecnologia, ela se aplica perfeitamente. Os abusos na utilização dos modernos recursos da informação e da comunicação já se revelam um potencial problema às saúdes física e psicológica de milhares de pessoas de diferentes idades. A lista de consequências negativas associadas ao hábito de recorrer exageradamente aos eletrônicos é longa e inclui dores lombares, irritação nos olhos e vista cansada, queda de rendimento escolar, insônia, ansiedade e até mesmo depressão. Há outra preocupação que desponta: a com o enfraquecimento de vínculos familiares e sociais. A ideia pode parecer absurda, já que as novas tecnologias permitem acessar pessoas, mesmo à distância, a qualquer hora. Mas o fato é que, se por um lado estamos cada vez mais próximos virtualmente, por outro, as conexões reais estão sendo comprometidas.

O Projeto Reconecte, realizado pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, e executado pelo Instituto Besouro de Fomento Social e Pesquisa, surgiu justamente com o intuito de estimular – e orientar para – o uso saudável das tecnologias da informação e da comunicação. Uma das frentes da iniciativa consiste na oferta de oficinas presenciais que reúnem pais e/ou responsáveis e seus dependentes (com idades entre 9 e 14 anos), proporcionam o acesso a informações cientificamente embasadas a respeito do consumo excessivo de tecnologia e seus impactos, e, ainda, sugerem medidas para o fortalecimento dos relacionamentos interpessoais.



Ao longo de quatro encontros de uma hora cada, intitulados A família e as tecnologias digitais, são trabalhados temas relacionados a aspectos sociais, educacionais, e de saúde física e psíquica. Espera-se que com auxílio e orientação adequados, as famílias participantes possam se valer de instrumentos que promovam a conscientização e a prevenção do uso excessivo dos meios eletrônicos, principalmente entre aquelas pessoas que são mais vulneráveis e têm acesso à web. As famílias que integram as oficinas recebem material pedagógico para, além de debaterem teoricamente os assuntos com os mediadores durante os encontros, realizarem atividades entre pais e filhos e, assim, exercitarem e resgatarem momentos sem o uso da tecnologia. Uma das ações estimuladas nos encontros, por exemplo, é a retomada do hábito de realizar as refeições em conjunto nos lares. Esses momentos de encontro são essenciais para o desenvolvimento emocional e social de crianças e adolescentes, além de promoverem o estreitamento dos vínculos entre pais e dependentes.

A escolha da família como foco principal de atenção no Projeto Reconecte decorre do fato de ela ser, além da primeira unidade social coletiva de que o indivíduo participa, o grupo em que ele aprende a perceber a si mesmo e aos outros, estabelecendo comparações e distinções fundamentais para a formação da subjetividade. Além disso, entende-se que o enfraquecimento das conexões familiares – às vezes motivado ou agravado pelo uso excessivo de tecnologias – pode resultar em cenários em que seus membros estão presentes fisicamente em um mesmo espaço, mas não estabelecem diálogos significativos entre si e tomam decisões de forma solitária. E, como se sabe, a comunicação e o afeto são fundamentais para a formação de um indivíduo pleno e socialmente responsável.

Informações

O Instituto Besouro promove as oficinas do Projeto Reconecte em diversas cidades gaúchas. Consulte a agenda de eventos em (https://www.facebook.com/AgenciaBesouro)



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