Histórias de Lacrimejar

Microempresário favelado

Microempresário favelado

Social, franqueado, cooperado, de alto impacto ou scale-ups, coorporativo, spin-off. E, claro, as queridinhas start-ups.

Mais fascinante do que a importância do empreendedorismo para o processo de desenvolvimento econômico do país, é o desenvolvimento dele próprio. O empreender, enquanto verbete, existe desde o século XVI. Já o “empreendedorismo”, está há apenas 10 anos nos dicionários e, talvez, também, na vida dos brasileiros. Com ele, todas as ramificações acima mencionadas (as quais, prometo, aos não familiarizados, explicar suas significâncias ao final).

A fim de sintetizar, vamos partir da ideia de que ele eclodiu, dividiu-se em variantes, vertentes e algum outro “v”, e hoje é o sonho de consumo de todo brasileiro. E é. Ao serem questionados, 76% dos que habitam nossos limites geográficos responderam que almejam serem donos do próprio negócio.

Agora, a realidade. Destes, apenas 19% pretendem realmente empreender. Capital, falta de conhecimento, excesso de tempo, burocracia, estão entre os fatores limitadores.

Neste meio todo, eu estava lá, no Rio de Janeiro, vindo de dois grandes “empreendimentos” de sucesso, exercitando a minha prática e envolto a estudos conceituais de Dornelas, Barreto, Dolabela, Schumpeter e Zarpellon (também prometo apresentá-los ao final).

De dentro da van, indo pra Barra da Tijuca, ao pé do morro da Rocinha – sem necessidade de apresentação, de canto de olho, visualizo a loja Casas Bahia. Mais uma olhada, outras grandes lojas de departamento. Uma piscadela e um comércio aquecido. A van nem bem arrancou e pronto, já não pensava em nada mais além do potencial que comportava tanto consumo. Logo, meu pensamento se voltou a parada súbita do transporte pelos traficantes com armamento cinematográfico (mas isso é outra história).

Usando a ponte aérea dos afoitos, imediatamente estava em Buenos Aires, na Villa 31, maior favela da Argentina, e verificava o mesmo. Para o bom entendedor, meia palavra basta. Para o bom empreendedor, meia oportunidade basta. Há algo bom aqui. Há algo surpreendente ali.

Cento e cinquenta páginas depois, com análise do cenário social e geográfico, pesquisa aplicada aos conceitos do marketing e do empreendedorismo, descobrindo como se desenvolve produto, preço, praça e promoção nas duas favelas, investigando as rendas obtidas (que chegam a R$ 300 mil/mensal) e a não existência de políticas públicas, veio a conclusão. Os 55 milhões de novos habitantes nas favelas do mundo, em 15 anos, agora são vistos por mim como 55 milhões de consumidores. E disso, ainda, nasceu a “Riqueza das favelas: o empreendedorismo entre morros e vielas”, meu livro.

A sua maneira, eles agregam valor a produtos e serviços, possuem gestão de recursos, identificam novas oportunidades e tem escalabilidade. Pouco acima de 1% de todas as empresas brasileiras crescem mais de 20% ao ano (para serem consideradas de alto crescimento). Mas, acho que as favelas não eram o escopodestas pesquisas, pois não foi isso que vi.

Mais do que negócios, ali têm amor. O microempresário favelado, um segmento do empreendedorismo inexplorado, ta aí, desenvolvendo-se em nossa frente, sem que vejamos, com um contínuo crescimento de capital de giro. Apresento-os: o empreendedorismo na base de pirâmide.

A propósito, sobre os conceitos e autores que prometi elucidar lá no início, era uma ação de marketing para gerar interesse a uma próxima oportunidade! Até lá!

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