Histórias de Lacrimejar

Como um carrinho na pequena área

Como um carrinho na pequena área

Cheguei em uma instituição de ensino para palestrar. A quinta – essência dessa atividade é quando suas ideias são mais conhecidas do que a sua face, te proporcionando uma capa da invisibilidade – ou, ao chegar em algum lugar sem saberem que você é você.

Logo ouvi: é um palestrante que fala sobre empreendedorismo social, com foco em favelas.

Pausa.

Não!! Empreendedorismo social, gurizada, é quando as ações praticadas pela empresa visam lucro e o social. Quando problemas sociais são resolvidos, amenizados, através das ações empresariais.

Não que eu não queira – como um líder budista – mudar o mundo. Mas eu, até o momento, não me detive a estudos dessa espécie. Não é minha área de interesse, e ao que saiba nunca falei sobre nas salas de aula da vida.

Eu discorro sobre empreendedorismo enquanto soluções inteligentes de negócios que visam lucro. Práticas na contramão do convencional que geram money, money, money…. Só que nas favelas. No morro. Onde a maioria das pessoas enxerga com a perspectiva de quem está no asfalto. E onde nem imaginam a riqueza que há.

Por isso, por esta confusão de conceitos, acordei inspirado e, pra quem ainda não entendeu, decidi dar um carrinho na entrada da pequena área – daqueles, dos bons, ao estilo passou a festa (ou a vida) toda se sentindo o cara, cobiçando a todas e na finaleira vê a própria mina (ou as suas certezas) beijar outro.

Vamos lá, respira fundo que será uma revelação arrebatadora.

Não estamos falando de um vilarejo, e sim de 12 milhões de pessoas, como eu e tu, plenas em suas capacidades produtivas, que se viram nos 30 (condolências por citar Faustão).

Se “favelas” fosse um estado, seria o 5º maior em população do Brasil, com a diferença que a média etária é de 33 anos, já nas comunidades é de 29.

Quatro em cada 10 habitantes querem fazer faculdade (não, não querem vender drogas). Ainda, 62% desejam cursar algo profissionalizante.

Mais de 55% acreditam que a vida melhorou e creditam ao próprio esforço (gente trabalhadora sabe que não há milagre). E, 8 em cada 10 são otimistas em relação ao ano seguinte (quem tem projetos em andamento espera o melhor).

Setenta por cento diz que se tivesse o dobro de dinheiro continuaria vivendo em sua comunidade (pra que sair da onde ganha dinheiro?).

Em 10 anos, a massa de renda nas favelas cresceu mais de 50% – que por acaso é maior que a de 15 estados brasileiros, estamos falando de 68 bilhões circulando anualmente.

Quatro em cada 10 “favelados” tem intenção de abrir o próprio negócio. Entre esses, 63% querer fazê-lo dentro da favela (por que será, né?).

Três em 4 moradores tem máquina de lavar, ¼ tem carro, mais de um milhão intenciona compra imóvel e mais de 3 milhões investir em melhorias na própria casa.

Mais de 80% dos jovens acessam a internet, 33% já foram a academia, 49% das mulheres em salões de beleza, 28% farão viagem de avião no próximo ano.

Entendeu? Precisa de uma bolsa de gelo? Porque cartão vermelho eu não vou levar não!

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