Histórias de Lacrimejar

Bike social e colaborativa

Bike social e colaborativa


Enganam-se aqueles que acham que a bicicleta é apenas mais um meio de locomoção. Ela vai além. Quem acredita no potencial da magrela é Pedro Guerra, 42 anos, de São Paulo (SP), idealizador do Coletivo Quebrada. Com o Bike Negócio, ele quer tirar a ideia do papel.

Pedro já é próximo da bike por ter trabalhado como bike courier. Desde que começou a atuar em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), local para tratamento de pacientes de saúde mental, pensou em ampliar o uso da bicicleta. “Muitos meninos atendidos têm e andam de bicicleta, então pode ser uma potente ferramenta de ampliação dos cenários cotidianos, a partir do desenvolvimento de ações comunitárias”, explica.

Com suas bicicletas próprias, os jovens atuariam como bike courier, serviço de entregas ágeis de pequeno monte, prestando serviço à Secretaria de Saúde e às universidades que mantém estagiários no local. Porém, não para por aí. A ideia é utilizar um galpão da comunidade para alocar ações sociais como mecânica de bike, cozinha consciente e coletiva, terapia comunitária, serigrafia, customização de bikes e permacultura urbana.

A partir do projeto, Pedro deseja produzir micropolíticas que ampliem o repertório restrito e precário da periferia. “A ideia é a transferência de conhecimento para ampliação de repertório de vida. Como futuros mecânicos de bicicleta, por exemplo. Entendendo que a bicicleta, além do serviço de mobilidade urbana, envolve a sustentabilidade e o entendimento do ecossistema em que vivemos. Que possamos pensar coletivamente”, ressalta.

Para a locação do galpão, segundo Pedro, não haverá custos, visto que ele pertence à comunidade. Os recursos para equipá-lo e deixá-lo pronto para as atividades serão arrecadados na comunidade, em uma espécie de crownfunding, um financiamento coletivo.

Pedro convive com a bike há bastante tempo. “Sou um grande ativista pró-bicicleta. Acredito muito do poder de transformação social dela. Então, quando eu passo a trabalhar no serviço de saúde, num local de extrema periferia, e entendo que as bicicletas de São Paulo estão na sua maioria esmagadora na periferia e todos os fomentos para o ciclismo estão no Centro, surge a ideia de potencializar esses meninos”, explica.

Nesse sentido, a maior dificuldade é criar uma mentalidade coletiva. “Entender que existem outras formas de produção de vida que não são só voltadas ao capital, onde a produção do coletivo é tão importante quanto. Hoje o desejo do oprimido é ser opressor e nós trabalhamos sempre contra isso, entendendo que uma sociedade mais igualitária precisa de outros valores”, salienta.

Nesse sentido, Pedro acredita que mexer com o emocional do ser humano é o mais difícil. “Tentar trazer um pouco de esperança e um senso de equidade em lugares tão desfavorecidos quanto as periferias é o mais difícil. Quando se amplia o mundo de um desses meninos se produz uma onda de energia positiva que se propaga nos ambientes onde ele mora e afeta positivamente muitas pessoas”, pontua.

Segundo Pedro, a capacitação de empreendedorismo está ajudando-o a fazer contas, pensar financeiramente as ações, calcular custos fixos e variáveis e pensar estratégias para mídias digitais. “Sou muito prático e pouco planejador. Ou era...”, conta, aos risos.

Por funcionar como uma cooperativa terapêutica de serviços, a ideia é que todos ganhem a mesma coisa. “Do que for produzido, o montante será dividido igual a todos que fazem algum tipo de serviço ou colaboração nesse espaço. Uma tentativa de não produção de lucro exorbitante pra ninguém. Um conceito justo e sustentável de se viver coletivamente”, destaca.

Conforme o aluno, a ideia é começar a trabalhar até o final do ano. Para isso, ele tem marcado duas reuniões com lideranças comunitárias dos Jardins Guarany e Paulistano. Além disso, agendou uma reunião com a Coordenadoria de Saúde da Zona Norte, por ser o acesso mais rápido à Prefeitura e Secretaria de Saúde.

O conceito de empreendedor para Pedro é diferente do convencional. “Eu entendo que empreender tem muitas maneiras de acontecer. Eu me sinto mais como um ampliador do que um empreendedor. A reabilitação psicossocial tem esse papel”, completa.

Redação: Priscilla Panizzon/Agência Besouro

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