Histórias de Lacrimejar

Bicicleta não leva preconceito

Bicicleta não leva preconceito


Se há um meio de locomoção democrático, é a bicicleta. Logo, ela não tem preconceito. Mais ainda: não tolera preconceito. É essa mensagem que a Aline Riera, 42 anos, de São Paulo (SP), quer passar com o seu mais novo empreendimento: Señoritas Courier, desenvolvido durante o Bike Negócio.

Conforme Aline, a ideia de uma empresa de courier (em português, “correio expresso”, serviço postal de entregas que valoriza a rapidez, segurança e qualidade das encomendas) composta só por mulheres surgiu quando ela percebeu que há, sim, a valorização da mulher nesta área, por conta de fatores como o tratamento ao cliente. “Quando iniciei o curso, pensava em uma empresa comum de courier. Lá pelas tantas, alguém sugeriu que seria legal um app como o Uber”, conta.

Por ser sua segunda ocupação, às vezes ela não dá conta dos pedidos que chegam. Quando isso acontece, ela aciona outras mulheres que pedalam, como amigas e conhecidas, cisgêneros (pessoas cujo gênero é o mesmo que o designado em seu nascimento) e transgêneros (pessoas que têm uma identidade de gênero diferente de seu sexo atribuído).

Na maioria das vezes, transportam pequenos volumes (envelopes, documentos e coisas de escritório). “Eu trabalho na Vila Leopoldina. Não tenho raio de entrega limitando a distância, então às vezes as entregas passam de 10 km. Mas diria que a média de distância percorrida para uma entrega é entre oito e 15 km”, relata. A comunicação com os clientes (fixo e ocasionais) se dá pelo WhatsApp.

Outro fator essecial que para Aline é ofertar um pagamento justo às entregadoras. “A importância de valorizar financeiramente e, assim, ter cada vez mais mulheres usando a bike. Não é minha ideia o lucro pelo lucro ao pensar no negócio. A ideia é mostrar que é a bicicleta é uma alternativa atraente para quem tem escalas de trabalho diferentes, quem pensa em ter um extra e quem quer cuidar da saúde enquanto trabalha”, ressalta.

Em relação ao curso, a aluna conta que a ajudou principalmente por mostrar que o negócio pode ir muito além do que imaginava. “A ideia do app surgiu e na mesma hora as pessoas mostraram várias outras possibilidades. Vi que posso encaminhar o projeto para aceleradoras de viés social, devido às frentes que trago no projeto: empreendedorismo feminino, tecnológico, sustentável”, destaca.

Segundo ela, o curso serviu com uma motivação a mais. “A maioria ali compactua com a ideia de que a bike veio pra ficar e para mudar a questão da mobilidade urbana”, acrescenta. Porém, Aline reconhece que empreender não é tarefa fácil, sendo a relação com o dinheiro um dos maiores empecilhos.

“Ao fazer planilhas de custos e ganhos, ficou mais fácil visualizar porque temos que cobrar determinada quantia pelo serviço. Durante todo o tempo que estivemos em aula recebemos estímulos sobre como pensar e abordar as questões financeiras”, salienta.

Desse modo, a empreendedora passou a ver as cifras de um negócio como algo a ser levado a sério. Quando foi questionada sobre a viabilidade econômica do Señoritas Courier, Aline resgatou um relatório da associação Aliança Bike que apresenta números da bicicleta no Brasil, incluindo sobre faturamento com bike entrega. “Ali eu vi que meu negócio é viável”, diz.

Já faz tempo que a bike faz parte da vida de Aline. Primeiro, virou meio de transporte. Em 2010, passou a ser uma aliada para perder peso e levar uma vida mais saudável. Em 2015, para encarar o fim do casamento, também contou com a ajuda da bike. “Já estava bem ativa, correndo e pedalando pela cidade com grupos”, relembra.

Para também ganhar uma grana extra, já que o emprego não a satisfazia nem pessoal nem financeiramente, decidiu trabalhar de courier. “Aquilo me deixou feliz e talvez, se a remuneração fosse melhor, eu exerceria somente essa função até hoje, pedalando em média 80 km por dia”, conta.

Mesmo assim, a magrela é parte fundamental da rotina de Aline. “Hoje pedalo em média 40 km por dia vindo para o trabalho e fazendo entregas, além de me deslocar em mais de 90% dos meus compromissos”, pontua. Além disso, ela participa do Selim Cultural, projeto que envolve arte e bike, levando grupos para fazer passeios culturais a bordo das bicicletas.

E não para por aí: pelo menos duas vezes por ano faz viagens de bike, no Brasil e no exterior, sozinha ou com amigas. “A última foi com um amigo pelo deserto de Salar de Uyuni, na Bolívia. A próxima vai ser na virada do ano pelo litoral da Bahia, sozinha”, planeja.

A meta de Aline é viabilizar o aplicativo e ter clientes por toda a capital paulista, para no futuro expandir a atuação. “Inicialmente, sei que tenho que olhar o mercado de São Paulo, que é um dos melhores para o meu negócio. Mas sei que onde houver bicicleta, celulares e empresas ele pode existir”, completa.

Redação: Priscilla Panizzon/Agência Besouro

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