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Ao som da bike

Ao som da bike


Curtir uma música, andar de bicicleta, passear por aí, apreciar a natureza, conhecer gente nova... Tudo isso junto e misturado. E com excelência. É essa a proposta da Cyclophonica Orquestra de Bicicletas. À frente do projeto, está Leonardo Fuks, 56 anos, do Rio de Janeiro (RJ).

Músico, criador e diretor do projeto, Leonardo começou a estudar música aos seis anos de idade, na mesma nessa época em que aprendeu a andar de bicicleta. “Ao longo da minha vida, tenho feito essas duas coisas com frequência. No período em que morei na Suécia, quando fiz o meu doutorado no final dos anos 1990, eu usava bicicleta diariamente, porque lá tem diversas ciclovias. Mesmo no inverno, com neve, dá para andar numa boa. Durante três anos, eu usei diariamente a bicicleta como veículo de transporte e de lazer”, conta.

Na Europa, no instituto de pesquisa onde trabalhava com experimentos com instrumentos, surgiu a ideia de fazer um evento unindo bicicleta e música. “Uma das perguntas que nos fazíamos é se seria possível tocar direito um instrumento, em termos de ritmo, enquanto pedalássemos. E a segunda pergunta é se seria possível tocar em grupo. Se uma pessoa conseguiria se sincronizar com os outros”, destaca.

Para testar, Leonardo fez alguns experimentos tocando sozinho, com instrumentos diferentes, e depois propôs aos colegas. E, surpresa! Viram que era possível. Quando voltou ao Brasil, em 1999, se juntou a amigos músicos que naquela época estavam começando a pedalar. “Era um momento em que era bastante raro as pessoas usarem a bicicleta. Havia muito receio”, lembra.

A primeira experiência oficial foi em um congresso em que foram convidados, na Praça Paris, no centro da cidade. “Foi um resultado tão legal, saiu na imprensa e a partir daí começou o trabalho da Cyclophonica”, acrescenta. Hoje, contam com mais de 250 eventos no currículo.

Em relação ao Bike Negócio, além de ter conhecido novas pessoas, o aluno destaca a iniciativa de ser um curso direcionado aos negócios relacionados à bicicleta. “Foi ótimo ver que um bike negócio é tão negócio quanto outros. Não é porque a gente adora bicicleta e o seu lado lúdico que a gente não deve trabalhar de maneira sistemática”, deixa claro.

A partir da capacitação, Leonardo conseguiu enxergar o que a orquestra precisa fazer para seguir adiante como um projeto bem-sucedido. “Não basta você ter algo respeitado, se você não o administra como uma empresa”, pontua.

Um ponto que merece atenção é o seu acúmulo de funções, muitas diferentes da sua área de formação, como divulgação, contabilidade, mediação com os clientes e precificação dos serviços. “Uma pessoa só fazer isso tira muitas oportunidades que poderiam acontecer. Fazer o curso foi uma forma de dialogar, aprender, parar para pensar... Valeu muito a pena!”, salienta.

As mudanças já começaram a acontecer. Primeiro, o grupo se reunirá para estabelecer algumas regras internas para uma melhor organização. Outro ponto é passar a ter uma pessoa da área empresarial para auxiliar na formatação e encaminhamento de projetos para que cheguem a clientes potenciais.

Outra mudança é um participante se comprometer a regularizar a Cyclophonica como uma empresa. “Eu não posso porque sou funcionário público. Assim, vamos poder ter mais autonomia. Não tendo uma empresa, só temos a possibilidade de emitir notas fiscais a partir de outra empresa. Isso tira um pouco o caráter de robustez do grupo”, pontua. Também buscarão outra pessoa da área de Administração para trabalhar na captação de patrocínios.

O repertório da Cyclophonica é bastante vasto. “Não há limites. Nós já tocamos música clássica, folclórica, infantil, contemporânea, MPB, bossa nova. Geralmente, nosso repertório se adapta ao lugar, à data, ao evento... Por exemplo, se tocarmos em Porto Alegre, vamos tocar algumas músicas locais”, diz.

A paisagem sonora também é levada em consideração. “Em um lugar que tem passarinhos, fazemos improvisos com eles. Com insetos também. Se nós encontramos músicos no caminho, geralmente fazemos uma parada e tocamos com eles. É fazer uma fusão e harmonização com a paisagem local”, ressalta.

Por ser a única orquestra de bicicleta, nesse formato, do mundo, surgiu a ideia de replicar o modelo. “Eu não sei se seria uma franquia ou mais um grupo com o mesmo nome e espírito. Fazer uma rede de orquestras, com uma quantidade mínima de orquestras no país. Não sei se damos conta, é um investimento alto, mas queremos pelo menos mais um grupo. É um ponto importante e interessante que estou disposto a pensar”, adianta.

Leonardo diz ainda que costuma usar a bicicleta quase que diariamente. “Seja para passear, subir na Vista Chinesa ou ir à Lagoa, ir à casa da minha mãe, na Gávea. Vou ao supermercado, na farmácia. Já tive muitas bicicletas roubadas, o que demonstra que eu uso bastante bicicleta. E não gosto de bicicleta elétrica, isso é importante”, acrescenta, aos risos.

Conforme Leonardo, o cenário da bicicleta está melhorando quando comparado à década de 1980, quando começou a pedalar no Paraná. “Era dureza. A gente se arriscava muito, não tinha respeito nem sinalização. As pessoas riam do meu capacete. Melhorou do ponto de vista dos hábitos dos motoristas, das leis de trânsito e das ciclovias. Existe um mercado maior também. As pessoas estão reativando com mais freqüência as suas bicicletas. A grande questão é a ocupação da rua e não simplesmente endurecer leis e regras. Quanto mais bicicletas, melhor será a condição do ciclista”, completa.

Redação: Priscilla Panizzon/Agência Besouro

http://cyclophonica.blogspot.com/

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