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A potência das favelas: mais que realidade, necessidade

A potência das favelas: mais que realidade, necessidade

Não está fácil para ninguém. Os últimos dados do IBGE apontam que, em março, o desemprego no Brasil atingiu 13,1%. Isso significa que 13,7 milhões de brasileiros estão sem emprego formal. Se o bicho pega para a classe média, que dirá para aqueles que sobreviviam com um salário mínimo. Se é bem verdade que somos um povo que não desiste nunca, o momento atual exige que muitos alterem a rota: da fila do Sine para a do empreendedorismo.

Só que quando se fala de homens e mulheres que sobem e descem os morros espalhados de um canto ao outro do país – afinal a pobreza não é exclusividade de região geográfica, tornar-se empreendedor não segue o itinerário um tanto quanto complexo de um plano de negócios à la faculdades de Administração. Não há tempo nem estrutura. É outra realidade, onde a urgência vira a alma do negócio.

Para enfraquecer o estereótipo de que todo pobre não gosta de trabalhar – pré-conceito ainda assimilado por muitos, segundo uma pesquisa do Instituto Data Favela, realizada em 2015 no Rio de Janeiro, 42% dos moradores de favela têm intenção de abrir o próprio negócio. Há centenas de exemplos bem-sucedidos, como a rede de agências de viagens Favela Vai Voando, especializada na venda de pacotes e passagens aéreas em comunidades, que já conta com 90 lojas. Mas para além dos que já são grandes, há muitos Joãos vendendo o bom e velho PF, muitas Marias trançando cabelos, em meio a outros milhares de empreendedores por necessidade que ajudam a roda da economia girar.

Pois é, há (muito) dinheiro circulando entre as vielas de nossa pátria amada. Conforme outro estudo do Data Favela, do mesmo ano, os moradores das favelas brasileiras movimentam R$ 68,6 bilhões anualmente. Hoje, a cifra deve ser maior. No entanto, o número de empreendedores informais nesses locais segue alto. Fora da formalidade, diminuem tanto a renda quanto a segurança da garantia de direitos trabalhistas. Assim, todos perdem, a pessoa física, jurídica e o Estado. Logo, deve ser do interesse do governo incentivar a formalização de micro e pequenos empresários nas favelas brasileiras.

No livro A Riqueza das Favelas: o empreendedorismo entre morros e vielas, resultado de minha dissertação de mestrado, exponho uma das informações mais relevantes adquiridas por meio de pesquisas in loco na Rocinha, onde vivem mais de 70 mil pessoas. A falta de auxílio técnico foi apontada como o fator que mais influência no (não) crescimento de negócios. A mesma queixa, sem dúvida, entende-se a outras comunidades Brasil afora. A inclusão de políticas públicas para instruir esses empreendedores em potencial precisa ser prevista e ampliada para ontem.

Por experiência própria, como filho da Vila Nova de Porto Alegre e dono do meu primeiro negócio aos 14 anos, vi e vejo como a falta de informação atrasa o desenvolvimento pessoal, profissional e social da galera das comunidades. Mais do que isso, em tempos de crise econômica como os que enfrentamos, aproveitar o capital humano – o que temos de mais valioso – é mais do que diminuir a pobreza, é estratégia certeira de um amanhã melhor para o país.

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