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Besouro voa alto em negócios nas favelas

Besouro voa alto em negócios nas favelas

Um país com quase 28 milhões de pessoas sem trabalho e com uma população caminhando para o envelhecimento sem garantia de proteção da Previdência Social é um terreno fértil para o empreendedorismo. Não o negócio iniciado em condições adequadas, mas nos morros e vielas, em um ambiente hostil, onde não há sequer saneamento básico. “Nesses lugares existem pessoas que conseguem se reinventar, empreender e sustentar sua família”, garante Vinícius Mendes Lima, idealizador da Besouro Agência de Fomento Social, que nasceu em Porto Alegre (RS), aposta nas favelas e na periferia do Brasil e de outros países, como a Argentina.

Empreendedorismo contra violência

Os cursos com metodologia inédita, onde alunos montam negócios com geração de renda após sete dias de capacitação – de onde saem com nome, logomarca e plano de negócios do empreendimento – já foram levados a 1.076 alunos por meio de programas públicos e do terceiro setor, e outros 2.280 estão em capacitação em ação da Secretaria Nacional da Juventude, ligada à Presidência da República. O governo federal contratou a formação no âmbito de iniciativas para combater a criminalidade em 125 cidades com maior Índice de Violência contra a Juventude (IVJ).

China e Haiti também querem os cursos

“Em três anos queremos capacitar 1 milhão de novos empreendedores que vivem em situação de vulnerabilidade social”, afirma o fundador da Besouro. Além de novas contratações por parte do governo federal – o Ministério da Cultura encomendou um curso específico para empreendedores culturais –, a Besouro estuda pedidos de 28 prefeituras e governos estaduais, entre eles Porto Alegre, Rio de Janeiro, Amazonas, Sergipe e Santa Catarina. “Também há interesse da China e do Haiti em aplicar nosso método para estimular o microempreendedorismo nesses países.”

Negócios que visam lucro

A metodologia da Besouro, a By Necessity, resultou de pesquisa na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, e no maior bairro pobre da Argentina, a Villa 31, para dissertação de mestrado de Lima pela Universidade de Ciências Empresariais e Sociais (UCES), na Argentina. “Ensinamos empreendedorismo enquanto soluções inteligentes de negócios que visam lucro. Práticas na contramão do convencional que geram money. Só que nas favelas. No morro. Onde a maioria das pessoas enxerga com a perspectiva de quem está no asfalto. E onde nem imaginam a riqueza que há”, diz Lima.

Tem riqueza na periferia

A tecnologia que habilita moradores de favelas e periferia dos centros urbanos também incorpora a própria história de vida do fundador da Besouro. Habitante de uma favela de Porto Alegre, Lima emprestou dinheiro da avó para vender doces e salgados nas portas de escolas. Foi só o primeiro passo. “Quando comecei a estudar o poder econômico e de desenvolvimento dentro das comunidades, conheci muitos empreendedores que ganham dinheiro mais do que muita empresa fora da periferia. Essas pessoas entendem de gestão, marketing, finanças”, comenta.

Fonte: DCI

Redação: Liliana Lavarotti

Agência Besouro
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